Os Despossuídos, Ursula K. Le Guin

24.5.19

Finalmente terminei mais um título da minha lista de leitura, e estou bem feliz em finalmente ter estabilizado as frequências de postagens aqui no blog! Agora estou publicando toda sexta-feira, 11h! Pensei em desistir?! Várias vezes, mas eu realmente me dei conta de que era hora de reorganizar e encaixar a rotina do blog/canal, que sempre precisa de bastante tempo, na medida do meu possível sem desistência, afinal, gosto do que faço, preciso continuar escrevendo. Bom, vez ou outra a vida manda uns presentes, como este livro que recebi da Editora Aleph há um bom tempo que nem lembro exatamente quando foi. Bom, vamos ao enfoque do texto... meus comentários sobre Os Despossuídos, livro de uma das maiores (senão, a maior!) escritoras de sci-fi deste planetinha e ganhadora de vários prêmios, Ursula K. Le Guin.


Sobre a História: Os Despossuídos, de Ursula K. Le Guin, é um romance de ficção científica ambientado no mesmo universo que A Mão Esquerda da Escuridão. (Muitos me recomendam, preciso muito ler!!!) Vencedora dos prêmios Nebula, em 1974, Hugo e Locus, em 1975, a obra lida com temas fundamentais a sua época, como o capitalismo, o comunismo russo e o anarquismo, além dos conceitos de individual e coletivo. A trama passa em dois planetas-gêmeos: Urras e Anarres. O primeiro é um mundo dividido em vários estados e dominado pelos dois maiores, que são rivais. Numa alusão clara aos Estados Unidos e à União Soviética, um dos Estados possui uma economia forte e uma sociedade patriarcal, enquanto o outro se posiciona como proletário e deseja imprimir seu modelo político em todo o planeta. Além disso, há um terceiro país, que, embora subdesenvolvido, é de extrema importância e se torna alvo de uma disputa política entre as duas nações soberanas, que iniciam uma guerra disfarçada entre si, em uma alusão à Guerra Fria. Já o planeta Anarres vive uma situação bem diferente: sua política anarquista, que representa uma terceira via à crise planetária de Urras, cria uma ilusão de sociedade perfeita. Tal ilusão só é quebrada quando um jovem e brilhante físico, Shevek, descobre a “Teoria da Simultaneidade”, que pode acabar com o isolamento do planeta, assim como favorecer as guerras de seu vizinho. (www)

Comentários: Primeiramente, bem curioso o momento que peguei este livro pra ler, já que estava em um momento de reflexão a cerca da minha graduação e ao pensar sobre planos futuros, penso muito sobre Física - não na graduação. E o livro aborda muito sobre o assunto, recorre a conceitos científicos conhecidos e até mesmo alude, de forma bem singela, a alguns grandes cientistas como Einstein e tudo mais. Achei interessante também do ponto de vista linguístico. Ao imaginar uma sociedade ambientada em um futuro distante no qual a povoação de outros planetas já é realidade, mesmo que fictícia, é perceptível a sagacidade da autora em perceber e representar em sua história a forma como a comunicação muda e influencia na forma como falamos/escrevemos palavras, tendo em vista que a língua é um organismo vivo e portanto, se modifica constantemente. Isso me fez lembrar alguns estudos que fiz sobre idiomas e linguagens/comunicação, mas não vem ao caso neste momento, heuhe! Só penso o quanto é incrível perceber o quanto algo tão abrangente e impressionante como um idioma pode desenvolver-se e até separar-se dando origem a outros idiomas, e ficando cada vez mais distantes entre si com o decorrer do tempo, da História. Mas enfim, voltando ao livro... minha experiência de leitura foi bem satisfatória, as nuances e analogias com a Guerra Fria e organização socio-econômicas com a história real que decorria em sua época, (vale lembrar que o livro fora publicado em 1974), Ursula K. Le Guin nos presenteia como uma história que indubitavelmente nos induz a reflexão sobre os prós e contras destes sistemas, de maneira rica e instigante. Vale a pena ler!

Imagens do Google, caso seja autor, entre em contato!
"Bem, pensamos que o tempo "passa", que flui por nós, mas e se formos nós que nos movemos para frente, do passado para o futuro, sempre descobrindo o novo? Seria um pouco como ler um livro, entende? O livro está todo ali, todo de uma vez, entre as capas. Mas se você quer ler a história e entendê-la, deve começar na primeira página e avançar, sempre na ordem. Então o universo seria um grande livro, e nós, leitores muito pequenos."p.219

"Até mesmo Ainsetain, o iniciador da teoria, sentiu-se compelido a advertir que sua física abrangia apenas o modo físico e não deveria ser tomada como se envolvesse a metafísica, a filosofia e a ética. O que, evidentemente, era uma verdade superficial; no entanto, ele utilizara o número, "Número, o Indiscutível", como diziam os antigos fundadores da Ciência Nobre. Aplicar matemática nesse sentido era aplicar o modo que precedeu e conduziu a todos os outros modos. Ainsetain percebera isso; com cautela afetuosa, ele admitira acreditar que a sua física de fato descrevia a realidade." p.274

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Outros aspectos interessantes que gostaria de citar aqui: a construção do livro, cuja narrativa da viagem do personagem Shevek entre os dois mundos é dividida alternando-se os capítulos entre pares e ímpares, além da relação com a "Teoria da Simultaneidade", criada por este, que tem a ver com as ideias de tempo. A construção da linguágem právica, que reflete totalmente os fundamentos do anarquismo utópico daquela sociedade, com o desencorajamento do uso de pronomes possessivos, por exemplo. Mais uma vez, a linguagem entrando como representação direta e profunda da sociedade que a utiliza. E outro fator que acho extremamente interessante é o fato da autora nos jogar nesse universo exibindo visões de capitalismo/anarquismo e afins, de forma não tendencionista, proporcionando uma reflexão, de prós e contras, que aparecem na história, nos fornecendo informações suficientes para refletirmos e tirarmos nossas próprias conclusões. Acho isso muitíssimo interessante, principalmente porque percebemos que toda ideia estabelecida sempre tem os dois lados, ainda mais a se considerar uma sociedade complexa como aquela. Muito bom! Nos vemos na semana que vem!

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