Reflexões sobre Fundação e Releituras

31.1.18

Em meu último vídeo falei sobre releituras. Aliás, minha relação com as releituras é uma coisa engraçada. Ao mesmo tempo que reconheço que poderia estar lendo e consequentemente, descobrindo algo novo, tenho aquele apego à alguns livros, um sentimento de volta ao lar, inevitavelmente. E me parece muito natural como uma pessoa que cresceu tendo os livros como lar. Falando especificamente sobre Fundação, ao finalizar a terceira ou quarta releitura deste primeiro volume da trilogia original, me pego pensando sobre várias coisas. Adoro como o autor explora a lógica nesses livros, e vejo várias analogias com a realidade. Mas bem, os autores não fazem isto mesmo, usam a realidade como inspiração?! 


Um dos fatos que mais me despertou atenção foram as crises Seldons. Parece que assim como tudo na vida, independente de escala pessoal ou global (política), há um crescente sentimento de conflitos perante à uma situação difícil, e seu desfecho é dado por uma solução simples, que chega sempre na hora certa, depois que todas as demais mostram-se falhas ou ilusórias. Aí aparece o caminho correto e mais lógico à se seguir. E isto não significa que não virão crises futuras, mas que o segredo quase sempre está na paciência, e muitas vezes, na ação pela não-ação (não necessariamente inercia!), afinal, "a violência é o último refúgio do incompetente" - diria Salvor Hardin, um dos meus personagens favoritos deste primeiro volume. Outro fato que não chega a ser comprovado, mas que na minha mente está mais que claro agora, é que a ciência da psico-história na verdade já existe! Uma questão de cálculo de probabilidades matemáticas com psicologia quando analisam-se as massas... Se formos parar para pensar em tendências e afins, fica tudo mais claro. A ciência da psico-história já existe! Mas vou deixar este assunto para outro texto mais específico, afim de explorar mais os significados.

A sucessão de crises e as saídas inteligentes usadas pelos personagens para solucioná-las é o que faz deste livro um dos meus favoritos de ficção científica. Até porque ele não tenta nos assustar com previsibilidades negativas mirabolantes, ou é fruto de um exagero imaginativo infindável, que não pretende exatamente passar uma mensagem, mas algo com um significado intríseco de valor, que inspira. Desde minha primeira leitura pude sentir isto. Acho interessante também que não é um livro difícil de ser lido, embora requeira bastante imaginação para ser "visualizado" mentalmente, o que é ótimo.


O brilhantismo da obra como um todo, os três volumes originais, nem tenho como discutir! Não conheço muito sobre a vida do autor em si (Isaac Asimov) - e sendo sincera, não tenho costume de procurar - mas pelo pouco que sei, dá pra perceber o reflexo do conhecimento científico do mesmo envolvidos em cada capítulo. Se anteriormente eu havia imaginado o futuro distante da humanidade, com certeza teria sido da forma como descreve Asimov. Diversos planetas habitados, alto desenvolvimento tecnológico, viagens interestelares... Esse livro é fascinante, acredito que terei disposição de reler a vida inteira e pelas próximas, hauha! Deixarei para comentar os demais volumes assim que houver oportunidade de releitura, afinal, estou bastante curiosa pela leitura d'A Física da Alma de Amit Goswami, e estou tentando deixar o meu lado certinha um pouco de lado, já que eu costumo ser aquele tipo de pessoa bem metódica, e percebi que isso me atrapalha um pouco, embora nada seja por acaso, né... Enfim, estou sendo mais espontânea até em minhas leituras.

Bom, é isto.
Até mais! :3

You Might Also Like

0 comentários

Muito grata pelo contato, seja sempre bem vindo! :3
You can contact me in english too! Be welcome! ♥

PORTFOLIO

YOUTUBE

INSTAGRAM